Os anos eram de 1960. Mais precisamente 1964 quando um grupo de adolescentes,
apoiados pelos pais que viam nesta atitude a garantia da formação acadêmica para seus guris,
chegou a Porto Alegre carregado de expectativas e ansiedade para conhecer e freqüentar a
“grande capital”.
Eis que, com o decorrer do tempo, calcados fundamentalmente no espírito bairrista
Bageense (não há como negar), fizeram desta cidade, uma extensão dos seus pagos,
trazendo e adaptando hábitos que jamais poderiam deixar de ter, pois com eles já
conviviam há muito tempo.
Foi assim que a rua da praia se tornou a parede do clube Comercial, o pernil do Mateus na recheado do Seu Rubens, as gurias do Bom Conselho nas gurias das freiras e com todo respeito o “Maribondo” no nosso Liborinho ou no “espalha brasa”.
Faltava o sábado à tarde.
Mais que natural, então reunidos numa das tantas repúblicas que se amontoavam,
objetivaram a formação de uma “seleção” Bageense de futebol, cujos critérios
passavamfundamentalmente, como não poderiam deixar de ser, pelo prestigio
incondicional de uma determinada “panelinha”.
Era a época do surgimento do futebol de sala e lá estavam: Gutti Salles,
Marco Meirelles, Pedro Afonso, Totone, Pecuária, Jair Macedo e cuidem este nome, Pompilio Loguercio. O ano era 1964.
Logo em seguida, 1965, juntaram-se a este grupo o Olmes Leguisamo, Wagner Meirelles (Gordo), Olavinho Salles, Renato Kalil, Cláudio Silveira, Alec, Fernando Adalto e me perdoem outros tantos que me faltam à memória, mas que apesar de não participarem do time se constituíam na grande torcida. Formou-se então, o time de futebol de campo.
Primeiros jogos, ainda nos campos do Champagnat, 18 RI e agronomia, já se dava mostra de um verdadeiro esquadrão que até hoje, baseado na amizade, na fraternidade e na união, vive e cresce com todos e a todo instante.
Logo depois, em 1966/67, já no campo do IPV contávamos com a chegada do Rodrigo Brasil, Marião Paiva, José Paulo, Biduca, Mariozinho Moglia e de outros tantos que a memória trai.
1967 – Na foto de pé (Solano, Pedro Afonso, Caco Loureiro,
Belo Kalil, Jose Antonio Paiva, Nei Rosa, Fernando Adalto e Zé Paulo. Agachados (Mario Moglia, Biduca, xxx, Gordo, Nei Paiva, xxx, Marcelo, Marião Paiva).
1968/69 - Período difícil, onde os primeiros companheiros já tinham cumprido suas tarefas acadêmicas e se lançavam na vida profissional, voltando a Bagé ou alçando vôos para mais longe ainda dos pagos. Vivíamos de partidas esporádicas e de algumas peladas na quadra de salão do IPV de Guaíba.
1970/71 - Voltam alguns, chegam outros, renasce com força o
Futebol de campo, com alguns do início e mais o Severo, o goleirinho, Azinha, Paulinho Passos e o Muti (um índio de Uruguaiana agregado).
1972/73 - Novo período difícil, o velho embrião sobrevive com as peladas nos campos de 7, da brigada dos bombeiros.
1974 - Desaparecem de cena alguns fundadores, mas eis que, motivados e
baseados nas mesmas virtudes e qualidades de seus conterrâneos mais velhos,
forma-se um novo embrião.
Lá estavam; Ciro Vaz, Tico-Tico, Maninho, Fonso,
Oswaldinho, Ballejo, Amarelo, Jumbinho, Chuteira e por aí vai. São muitos e
importantes.
1975 - Numa famosa partida na agronomia entre o time do “Estaleiro Só” e este Bageense, houve a oportunidade de fundir as duas equipes e iniciou-se a escalada vitoriosa em campo e fora dele, que redundou neste estado atual. Eu me estenderia muito se fosse comentar, de lá para cá, tantos fatos positivos que serviram para fortalecer este espírito Bageense. Mas não poderia deixar de dizer uma frase: “Como e quantos se fazem amigos nestes tempos”.
Fase de ouro. Faz-se agora uma pequena crônica dos fatos mais importantes. 1976/1979 - Campo do São Pedro, perto da Restinga. Jogávamos com dois times, primeiro e segundo quadros, tantos eram os participantes. Muita garra e poeira da estrada e “de-lhe” vitórias.
1979 - A grande mudança de gramado, campo da Serraria. Passava-mos a jogar num dos melhores campos de várzea de Porto Alegre. Sempre vitórias, alguns empates e pouquíssimas derrotas ainda.
1986 - ESTATUTOS DA ASSOCIAÇÃO. Era tão forte e unido o grupo que em dez anos, mesmo tendo sofrido tantas defecções e adesões o embrião tornou-se uma grande estrutura, em torno do qual houve a possibilidade de criar-se juridicamente a nossa associação. Um trabalho para Dr. Fernando Moreira.
Ainda neste ano, as primeiras eleições absolutamente democráticas, onde elegeu-se, depois de dois reinados que duraram 5 anos cada, com Olmes e Fonso respectivamente, o primeiro presidente da associação. Lembram do nome? Pompílio Loguercio.
Lembrando que no período de 08/1986 a 05/1988, ficamos 56 jogos invictos e no ano de 1987 vencemos todos os jogos.
1989/90 - Outra fase difícil na vida do Bageense. Voltaram a Bagé as figuras mais proeminentes da época, mas sobrevivemos com novas adesões. Chegam Vicente, Jumbão, a volta do Fonso e alguns porto alegrenses que hoje tenho certeza tem o espírito Bageense: Betinho, Renatinho, Mario, Ricardo, Astengo, Fabio, Celso, Nei e outros mais.
A partir daí impulsionados por esta forte “panela” e pelos filhos crescendo fora de campo, atrás das goleiras, tínhamos a certeza que a associação perduraria por muito tempo.
Participávamos de torneios no Quartel e na praia, sempre com muita festa. Grandes churrascos eram organizados no IRFA. As fases do futebol e das “borracheiras” estavavam no auge. As vitorias continuavam tanto dentro como fora de campo.
1992 / 93 – Começam aparecer os primeiros “guris no time de cima”. Entre eles: Rafa, Marquinho, Guga, Rodrigão, Rogério e Gustavo, Seginho, Volpe, etc. Entre os que continuaram adiante se juntaram Titi, Dudu, Caco e mais alguns. O futebol continuava em alta. A fase era de ensinar esta gurizada a ter o espírito de garra e vencedor Bageense tanto dentro de campo como fora dele.
1996/97 – Os “velhos” organizam a tradicional “pelada 7”
de 5º feira no Ipanema Padle. Lá estão presentes algumas
das figuras mais importantes da historia do Bageense:
Pompilio, Gordo, Fonso, Vicente, Jumbo, Claudio Silveira,
Betinho, Guaragna, Fabio, Astengo, Ricardo, Chuteira e
alguns excelentes agregados como Zé do copo,
Silvio Tavares, Cezinha, Enilton, Antonio, Chico, Claudio,
Adilson, etc.
Nesta mesma época a turma da 2º geração já um pouco
enfraquecida começa a dar espaço à outros guris, outra
geração, que trazem consigo alguns amigos e também
novas aquisições. È a época em que o Bageense começa a
formar a cara atual: Teteu, Cassio, Zi, Bernardão, Totó,
Eduardo, Marcel, Gabriel e outro mais.
Permitam-me citar um fato que marcou a historia desta geração. Fomos jogar num domingo, após o tradicional jogo de sábado, um torneio no campo do Rio Branco, Lomba Grande, Novo Hamburgo. O time que já estava invicto há quase um ano assim continuou sagrando-se campeão e aplaudido pelos torcedores adversários. Era um time de respeito! A fase boa continuou por mais alguns anos.
2000 – Nesta época tudo corria bem, a pelada da 5º feira funcionando muito bem e o time de sábado acumulando vitorias. Rafa e Marquinho se tornam os primeiros presidentes desta 2º geração. É importante lembrar que de acordo com o Estatuto só pode ser presidente do Bageense aquele que é nascido em Bagé ou é filho de Bageense.
2003 – A primeira crise da gurizada. Algumas dos mais importantes para o time, não só pela referencia técnica, mas também pela liderança fora de campo, viajam para fora do país. Com o objetivo de “aventurar” e aprender outra língua acabam ficando fora por 2 ou 3 anos. A “gurizada”, nesta época já contando com Fonsinho e outros novos companheiros, não tinha com o mesmo apoio dos “velhos” e segurou esta fase só “na camisa”. Jogos com 11 atletas, entre eles Pompilio e Gordo, eram comuns. Vencemos mais uma vez e mantivemos viva esta “chama”.
2005 / 2006 – O pessoal que estava fora retorna e começa a ser escrita mais uma pagina desta história. Juntam-se a eles uma forte “panela” de guris vindos de Bagé trazidos pela Eduardo, como Leonardo Nariga, atual vic-presidente, Marcelão, atual goleiro e diretor social, Kalil, Zé Parera, Bili, Leandro e outros mais.
Alguns ainda continuam vindo enquanto outros saem: se
afastam do Bageense Marquinho, por problemas de
relacionamento, e Caco por assuntos profissionais.
2007 / 2008 – É criado o site da Associação
(www.bageense.com.br) com o propósito de alavancar
ainda mais esta comunidade.
O intuito da “gurizada” que
hoje já comanda e lidera por
inteiro este grupo é trazer de
volta os “velhos” afastados e
criar atratividade para que
esta história continue a ser
escrita por muitos anos ainda.